terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Um pai sem noção....

Uma das histórias que mais marcaram minha vida em recrutamento e seleção aconteceu em 2003 mais ou menos. Apesar de hoje parecer engraçada, na época fiquei furiosa!

Um estagiário que trabalhava comigo indicou um amigo seu para uma vaga de desenvolvedor Visual Basic (VB). Chamei o candidato "X" para uma entrevista comigo (não divulgarei nomes das pessoas citadas para não criar constrangimentos ou processos por danos morais...). Apliquei um teste básico de lógica de programação e durante a entrevista percebi que "X" não conhecia muita coisa da nossa área (tecnologia), mas era um garoto com muita vontade de crescer, aprender. Como estava realizando várias entrevistas, resolvi aguardar o processo de todos os candidatos, para então tomar a decisão sobre a contratação que precisava.

No dia seguinte, recebi um telefonema do pai do "X". Muito amavelmente, ele se apresentou e disse que tinha resolvido me ligar para me dizer que eu deveria contratar seu filho. Disse-me que seu filho era "tudo de bom", que era muito competente e que eu não ia me arrepender. Agradeci gentilmente e expliquei-lhe que havia muitos candidatos ainda para entrevistar, que eu me decidiria pelo que melhor se saísse e que ao fim do processo daria um retorno. Ele ainda insistiu um pouco e eu consegui encerrar a conversa dizendo que consideraria os pontos positivos do filho dele.

Ao final do outro dia, o pai de "X" me ligou novamente. Falou que eu realmente tinha que contratar o filho, que ele era um espetáculo, etc. Já perdendo a paciência, expliquei a ele que o filho dele não tinha os conhecimentos técnicos necessários para estagiar conosco (no caso, algum conhecimento de VB ou lógica de programação), mas que ainda assim eu consideraria seu potencial em aprender. Ele me afirmou que "esse VB" não seria um problema, que ele tinha certeza que o filho seria muito melhor que os outros. Daí, completamente irritada, eu disse a ele que ele estava estragando o processo do filho. Que se para contratar, ele estava agindo assim, imagine depois de contratado. Ele ia ficar pedindo promoção para o filho, batendo à minha porta cada vez que o filho fosse repreendido ou criticado, etc. Ele também ficou nervoso, porque percebeu a minha resistência em contratar seu amado bebê. Ele começou a gritar comigo no telefone e eu perdi totalmente o controle. Comecei a gritar também, e nisso todo mundo ao meu redor parou para ficar ouvindo. Consegui fazer com que ele parasse de gritar e acabei dizendo "O SEU FILHO ESTÁ FORA DO PROCESSO! Você tem que deixá-lo crescer, ser independente. Ele vai morrer de vergonha de você ao saber desta palhaçada. Por causa de você, ele perdeu qualquer chance de vir trabalhar aqui!" e bati o telefone na cara dele.

O amigo que o indicou queria se esconder embaixo da mesa. Pediu mil perdões pelo comportamento idiota do pai do "X". Disse que até chegou a ir na casa do amigo depois para tirar satisfações desta situação, e acabou perdendo o contato com o amigo de tão constrangido que ficou. Eu disse a ele que ele não tinha culpa do ocorrido, que podia relaxar. Mas isso acabou sendo sempre motivo de piadas para os demais (não é para menos).

Não me orgulho de ter agido assim com o pai desta criança, mas convenhamos, ele foi um sem noção!

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