sábado, 25 de fevereiro de 2012

Trollada por um candidato ...

Este fato aconteceu em dezembro/2011. Um dos estagiários que trabalha comigo indicou um amigo para estagiar em desenvolvimento. Liguei para a criança para agendar uma entevista e pedi a disponibilidade de horário. Ele colocou que seria melhor ir pela manhã. Como normalmente vou para o trabalho às 11 e a outra pessoa que faz entrevistas técnicas também entra mais tarde, tentei sugerir um horário após às 11 até às 20 hs. Ele colocou que não dava mesmo e acabamos marcando para às 10.

Naquele dia da entrevista, consegui chegar às 9:30 (normalmente eu pego um transito do cão para chegar este horário) e a outra pessoa também. Quando era 10:20, percebi que a criança não tinha aparecido ainda então liguei para ele para ver se algo tinha ocorrido. Após o telefone tocar algumas vezes, o "ser" atendeu com a maior voz de sono e quando disse que era a Maggie da MAPS, ele começou a se desculpar porque tinha esquecido. Como essas coisas acontecem com todos, acabei perdoando o "ser" e remarcando para dali a dois dias. Tentei novamente propor um horário mais tarde mas ele colocou novamente que não dava. Marcamos para às 10 de novo...

Quando avisei a pessoa que o avaliaria tecnicamente que o "ser" tinha perdido a hora e tínhamos remarcado para dali a dois dias, esta pessoa disse "Nossa, Maggie. Como você está boazinha! A Maggie que eu conheço não teria remarcado, além de socá-lo!". Outras pessoas acabaram fazendo o mesmo comentário, e eu acabei reconhecendo que a Maggie de alguns anos atrás teria brigado com ele...(não sei se em alguma outra história deu para perceber que eu era uma pessoa super estourada, hoje estou muito boazinha...)

Na segunda data, chegamos novamente mais cedo para poder fazer a entrevista no horário combinado (às 10) e adivinhem???? ELE ME TROLLOU!!! Quando vi que eram 9:55 e o "ser" não tinha aparecido, liguei na portaria e pedi para que eles dispensassem-no assim que ele chegasse. Ah, chegar atrasado sem ligar seria imperdoável dado o ocorrido na primeira vez. Pelo que entendi, ele nem apareceu e nem teve a decência de ligar para dar uma explicação ou pedir desculpas, ou mesmo mandar um email mostrando que tem um pingo de educação. Acabei concluindo que foi melhor isso ter ocorrido assim, pois obviamente ele não seria uma pessoa em quem poderíamos confiar caso viesse a ser contratado. Como contar com alguém sem responsabilidade?

Um mico de viagem...mas valeu a pena...

Em 2008, eu montei todo um roteiro para conhecer alguns lugares do Chile. Como apreciamos lugares um tanto diferentes, incluí na viagem o Deserto de Atacama e a Ilha de Páscoa. O Atacama é o deserto mais árido e alto do mundo e a Ilha o pedaço de terra mais isolado do mundo.

O Deserto foi fantástico. Só a baixa umidade do ar (2%) incomodava um pouco. Para a Ilha, pegamos um vôo em Santiago. O vôo de seis horas em um avião pequeno (afinal o aeroporto da ilha é minúsculo) sobre uma imensidão de água que não acabava cansou muito. Parecia que nunca íamos chegar.

Quando chegamos, tivemos uma recepção com colares de flores e muita música. Até esquecemos do cansaço do vôo. Já no hotel, o guia nos informou que teríamos um primeiro passeio naquela tarde mesmo e que passaria para nos pegar em algumas horas.

Quando ele voltou, fez toda uma explicação sobre o povo Rapa Nui, os Moais e nos levou para ver os primeiros Moais da Ilha (afinal a grande atração lá são essas gigantes estátuas de pedra). A emoção de ver estes gigantes é muito grande e consideramos o passeio muito legal!
No dia seguinte, o guia passou pela manhã, levou-nos para conhecer um dos vulcões da ilha e adivinhem o que mais? mais umas três paradas para ver os Moais (Moais com chapéus, Moais sem cabeças, Moais caídos). No outro dia (o terceiro já), fomos levados para conhecer a única praia da ilha (isso mesmo, a ilha só tem UMA praia de mais ou menos 100 metros de largura), e que era mais famosa pelos Moais que estavam ali perto do que pela própria praia. À tarde fomos levados a um penhasco onde o povo fazia uma competição para decidir quem reinaria a ilha por um ano (fato registrado no filme Rapa Nui), e mais alguns lugares com Moais (Moais deitados, só chapéus de Moais, só cabeças de Moais).

 No último dia de passeio, fomos a mais alguns lugares com Moais (agora o lugar onde eram feitos os Moais, escupidos nas pedras ainda, alguns Moais restaurados pelo Japão e outros sei lá...). Nisso tínhamos conhecido a ilha inteira que possui apenas 170 m2 e dá para ser conhecida de bicicleta.

Pegamos o vôo de volta (seis horas intermináveis) e concluímos que esta viagem foi um mico porque:
- a passagem aérea e a estadia são super caros,
- as refeições lá eram super caras (imagine um lugar que não produz nada e tudo que vendem tem que ir de avião - até água),
- os Moais são incríveis. A história do povo lá também. Mas ficar quatro dias vendo Moais...não dá...
- por ser uma ilha, eu tinha levado um monte de bikinis e maiôs achando que ia tomar muito sol. A UNICA praia de 100 m  não comportava nem meia duzia de turistas...então voltei mais branca do que quando fui.
- o vôo é extremamente desgastante.

Depois desta minha história, talvez alguém ainda queira ir para conhecer o lugar. Eu sugiro ficar apenas dois dias, pois não tem muito o que fazer. Ah, se você curte um por do sol, lá foi um dos mais belos que vi!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

...ele tinha dois empregos...o maior pilantra que conheci...

Esta é a história de uma das pessoas mais pilantras que conheci em toda a minha carreira profissional (a outra é quem a contratou e que também contratou o desenvolvedor da história  da "desculpa do envenenamento da caixa d'água..." (http://maggie-funny-stories.blogspot.com/2012/02/desculpa-do-envenenamento-da-caixa.html)).

Esse analista era muito bem apessoado, falava super bem e tinha muita experiência em lidar com clientes. Quando o contratamos, ele disse que provavelmente teria que atender o pessoal da empresa anterior em alguns momentos (por telefone), já que ele era responsável por muitas coisas lá e não tinha tido tempo para passar tudo. Não vimos problemas pois sempre achamos melhor que o desligamento ocorra sem traumas (para nós ou para outras empresas).

Como estávamos fazendo um trabalho de levantamento dentro de um cliente importante, colocamos esse analista como responsável por uma das frentes do projeto e ele tinha que passar muito tempo lá dentro desse cliente. Certo dia, o cliente nos liga perguntando do paradeiro do analista. Fazia dois dias que ele não aparecia lá. Como ele também não tinha aparecido na nossa empresa, liguei para o celular dele pois pensei que algo pudesse ter ocorrido. O celular tocava tocava e não atendia. Preocupada, liguei para o telefone da casa dele. Quando sua esposa atendeu, perguntei por ele e ela disse que ele estava trabalhando. Disse então que eu era da empresa que ele trabalhava, e precisava falar urgente com ele. Ela então me disse que ele tinha um outro celular e me deu o número.

Assim que liguei ele atendeu. Quando perguntei onde ele estava, ele ingenuamente disse que estava em casa doente (ele já sabia que era eu). Nessa hora o meu sangue ferveu! Enfurecida, falei para ele que tinha acabado de falar com a esposa na casa dele e ela tinha dito que ele estava trabalhando. Quando ele falou que estava no nosso cliente, quase tive um treco! Falei que o cliente tinha acabado de ligar informando-nos de que ele não ia ha dois dias! Ele gaguejava tentando inventar outra desculpa, então eu descobri tudo...ele tinha dois empregos!!! Ele não tinha saído do outro lugar onde trabalhava! Ele ficou gaguejando tentando se explicar e eu gritava: "Fulano, vc não se desligou da empresa anterior?" , ele tentava responder "é que às vezes preciso ajudá-los...", "mas já se passaram dois meses que você está conosco! O combinado é que você os ajudaria por telefone por um tempo...!

Falei para ele passar na empresa para se explicar pessoalmente. Obviamente nunca mais o vimos. Ele fez questão de ir a empresa no dia seguinte, logo pelas 7 da manhã quando as meninas da limpeza chegavam, pegou as coisas dele e nunca mais apareceu. Sei que ele morava perto da minha casa e sempre que passo pela rua dele, lembro-me desta história. Acredito que o pessoal da outra empresa também pensasse que ele estava em algum cliente deles quando estava conosco. Coitado...que pobreza de espírito.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

O banho no pátio dos bombeiros...

Houve uma época em que procurávamos uma quadra para jogar volei depois do trabalho. Perto da empresa, há uma sede do corpo dos bombeiros com uma quadra ao fundo, então decidimos ir lá para ver se não poderíamos alugá-la.

Fomos eu e um amigo do trabalho. Ele ficou na calçada e eu entrei no pátio em direção ao escritório. Dentro do pátio, havia um daqueles caminhões enormes e vários bombeiros (uns seis) ao redor dele, tentando conectar um mangueira à torneira do caminhão. No momento que passei ao lado deles, houve um estrondo. Eu só vi os bombeiros correndo, cada um para uma direção e um esguicho de água indo em direção aos céus. Claro que a água tinha que cair e adivinha onde ela caiu? EM MIM!!! Eu travei por causa da explosão e lá ficou um chuveiro enorme sobre minha cabeça! Eu só ouvia "o que aquela menina está fazendo aqui?", "de onde surgiu essa menina?", "o que você está fazendo aí?"...Quando dei por mim, comecei a correr em direção ao escritório. Correndo eu gritava "Só  pode ser pegadinha do Faustão!", "cade as cameras?".

Ao entrar no escritório, com água escorrendo pelo meu rosto e a roupa toda molhada, ainda gritando coisas sem nexo de tão assustada e constrangida que estava, deparei-me com uma mulher de farda rolando de dar risada...nem conseguia falar. Acabei me acalmando e falando com ela sobre a quadra.Quando acabei, tinha que passar de novo pelo pátio e no meio daqueles homens de farda que já tinham controlado o esguicho de água. Passei sorrindo e trincando de vergonha. Nem ouvi o que diziam (tenho certeza de que estavam falando comigo, mas preferi não ouvir). Ao chegar na calçada, encontro o meu querido amigo dando muita risada e perguntando o que tinha ocorrido. Ele só ouviu a explosão e a água subindo uns cinco metros. Expliquei-lhe que tinha resolvido tomar um banhinho lá no corpo de bombeiros.

Ao chegar na empresa, ainda molhada, provoquei uma tarde de muitas gargalhadas. Só comigo mesmo...O que aprendi desta lição? A não passar mais perto deste caminhões e hidrantes pois eles podem explodir...

A desculpa do envenenamento da caixa d'água...

Sabe que eu admiro muito a criatividade do ser humano...se fosse utilizada somente para coisas positivas, o mundo seria muito melhor! Este é mais um exemplo desta criatividade...

Contratamos uma vez um desenvolvedor java mais senior. Ele era sério, introvertido, e parecia ser um bom técnico. Quando resolvemos fazer um treinamento para uma galera mais nova que estava entrando, conversamos com ele e o colocamos como instrutor. Acho que no terceiro dia de aula, ele faltou sem dar explicações. Tivemos que rapidamente improvisar um novo instrutor (um outro desenvolvedor foi alocado para a aulinha). Durante esta substituição, este desenvolvedor que assumiu o treinamento nos contou que os alunos tinham dito que o outro havia falado que as classes abstratas eram instanciadas com new (para quem não conhece java, dizer isso é uma blasfêmia). Este novo instrutor tentou não "queimar" o outro e enrolou dizendo aos alunos que ele poderia ter se confundido, ou algo assim. Contou-nos a história e achamos difícil imaginar que alguém com tanta experiência pudesse ter um furo de conceito assim.

Ele acabou faltando mais alguns dias informando-nos de que estava doente, passando mal. Nos dias que se seguiram, ora ele vinha, ora não vinha. Quando vinha, não aparentava estar doente...mas que era um pouco folgado mesmo. Estava ficando complicado contar com ele. Seu conhecimento parecia não ter fundamento e os outros ao redor começaram a se incomodar com ele. Sempre tinha uma desculpa. Em uma das vezes, chamamos para conversar e ele explicou que não estava conseguindo trabalhar direito e que às vezes não estava vindo por causa de problemas de saúde mesmo. Apertando-o, ele disse que os vizinhos estavam envenenando a caixa d'agua dele!. De onde ele tirou isso, meus deuses! Falamos que era caso de polícia, que se ele tivesse provas ele deveria denunciar seus vizinhos, mas obviamente não havia consistência na estória (não "historia", pois era falsa mesmo).

Percebendo que não podíamos confiar nele e que no fundo ele não era tão bom (técnico) quanto imaginávamos, acabamos dispensando. Das desculpas para não trabalhar, até hoje esta foi a melhor. Quanta criatividade!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Quase trollada por dois irmãos! Por pouco não contratei um!

Essa história aconteceu em 2008 mais ou menos. Estava fazendo um processo seletivo para contratar analistas para a equipe que eu coordenava na época, então chamava os candidatos para fazerem uma prova, e dependendo do resultado chamava mais uma vez para uma entrevista. A prova continha questões de conhecimento geral como nomes de presidentes, questões de lógica, inglês, e também questões mais técnicas relacionadas ao mercado financeiro (o que é opção de ação, por exemplo).

Um dos candidatos que convocamos era um rapaz novinho, tímido, que tinha feito a prova de forma parcial e que resolvi chamar para uma entrevista pessoal (às vezes, fatores comportamentais superam as deficiências apresentadas na prova. Dependendo das questões que o candidato erra, vale a pena chamar). Infelizmente, a parte pessoal não foi suficiente para me convencer de que daria para contratá-lo, então ele não foi aprovado. 

Dias depois, após muitos candidatos, chamei um outro garoto para a prova. Ele praticamente acertou 100%. Como era uma prova considerada difícil até para pessoas que trabalhavam conosco (tinha gente que dizia que se tivesse esta prova quando entrou, não teria sido aprovado), o fato deste candidato ter ido super bem, deu-me uma esperança de que faria mais uma contratação! Na entrevista pessoal, ele foi muito bem também. Apesar de novo, ele era bastante seguro e tinha muito jogo de cintura para responder questões que nem sabia a resposta. Como sempre, eu perguntei se ele já conhecia a empresa ou alguém da empresa, e ele disse que não conhecia. Então expliquei-lhe tudo e ao final da entrevista, falei que entraria em contato depois.

Estava praticamente certa de que ele seria uma das pessoas contratadas daquele processo seletivo, quando uma das analistas olhou o curriculo e disse "Maggie, você viu que coincidência? Ele tem o mesmo sobrenome daquele outro que já reprovamos"  Na hora, olhei o CV e por ser um sobrenome comum para a comunidade japonesa, achei que era coincidência mesmo. Observando melhor, percebemos que o endereço também não era estranho. Recuperamos o outro curriculo e vimos que era o mesmo endereço, o mesmo telefone, o mesmo sobrenome! Eles eram irmãos e ele era o mais velho!! Possessa, peguei o telefone e liguei para o dito cujo. Ele atendeu todo feliz, achando que era o retorno do processo seletivo. Com toda a minha fúria na voz, eu disse "Você pensa que somos trouxas?" O menino  começou a gaguejar e eu continuei "por que você não nos disse que seu irmão já tinha vindo fazer a prova e que você já sabia o que a empresa fazia por causa dele? Poderíamos ter aplicado uma prova diferente e feito o processo normalmente com você! Você acertou tudo na prova porque seu irmão contou tudo para você!". Falei que um bom profissional era honesto e que ele não tinha ética suficiente para trabalhar conosco. Disse que ele até teria grande chance de ser aprovado, mesmo não acertando tudo na prova,  porque ele tinha se saído muito bem na entrevista. Ele ficava pedindo desculpas, gaguejando, dizendo que tinha ficado com receio de contar do irmão. Eu disse que ele NUNCA mais teria chances de participar de um processo na empresa, porque idoneidade era tudo! Ele ficava falando que a família dele era honesta, que não era isso que a mãe tinha ensinado, mas que pensou em ter uma pequena vantagem no processo, por isso não contou. Tinha medo de não ser aprovado. Eu disse, "então, isso é que fez você ser reprovado!".

Por pouco não o contratei. Pelo que analisei da entrevista, acredito que ele teria se dado bem na empresa. Era esforçado, tinha segurança. Acho que agiram ingenuamente e não de sacanagem. Tenho certeza de que aprendeu uma grande lição. Eu também aprendi muito...agora presto mais atenção em nomes, sobrenomes, além de perguntar sobre toda a família nas entrevistas. Depois desta história, muitos entrevistados entenderão o porquê das perguntas sobre seus irmãos, hehehehe!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Macacos me mordam!

Hoje resolvi contar a história da mordida da macaca. Quando conto esta história todos riem, mas na época fiquei muito tensa.

 Eu e Edinho (meu marido) estivemos no Camboja em fevereiro de 2011.  Ao visitar o templo Angkor Wat nos deparamos com muitos macacos soltos, alguns recebendo bolachas, bananas de turistas que ali passavam e outros beirando as ruas nas quais andávamos só observando. Eu SEMPRE adorei animais. Adoro ficar perto deles, se possível interagir com eles. Animais selvagens e silvestres são irresistíveis, eu tenho que chegar perto, tocá-los se der.

Muito bem, um grupo de macacos estava no meio da rua que estávamos passando: duas mães brincando entre si e seus dois filhotes (as duas tinham peitinhos, então deduzi que eram as duas mães).  mediatamente, dei a câmera para o Edinho e pedi para ele tirar fotos de mim com os macacos ao fundo. Edinho foi falando: "afasta mais um pouquinho, aproxime-se mais deles"... e eu, empolgada com a possibilidade de uma foto legal perto dos macaquinhos, fui me aproximando, devagarzinho até que agachei a uns dois metros deles.

Qual não foi minha surpresa, quando os dois filhotes viraram seus olhinhos para mim e vieram na minha direção! Senti uma emoção muito forte e fiquei falando para o Edinho "Edinho, tira logo! tira a foto!". Não sei se foi a camisa do Brasil tão amarela (fui confundida com uma banana gigante?), ou a crença de que eu ia dar alguma coisa para eles comerem, mas a verdade é que quando percebi, um deles estava praticamente no meu colo e o outro a ponto de subir.
Nossa, quanta emoção!!! Ficar tão próxima de um animal selvagem no meio do seu habitat!. Como podem ver na foto acima, ele segurou a minha mão! Fiquei tão feliz e tão preocupada com a foto que o Ed tinha que tirar, que não percebi a reação que as mães das crianças tiveram ao ver a cena acima. Elas ficaram com ciúme ou pensaram que eu ia atacar seus filhotes. As duas avançaram em minha direção, com as bocas abertas e os dentes à mostra, e quando eu percebi uma das macacas estava dando um bote em mim! Vi aqueles dentes enormes vindo em direção à minha perna e dei um pulo para trás. Só senti a pancada na perna. Corri chamando pelo Edinho, que estava lá, parado só olhando.
 A minha reação fez com que elas recuassem. Ao olhar para a perna, imaginei que estaria com uma fratura exposta de tanta dor que sentia. Ficou só um corte com a  marca dos dentinhos da maldita e uma bola roxa em volta, já que ela bateu os dentes na minha canela.

Um turista hipocondríaco argentino que estava conosco, viu tudo e correu para chamar nosso guia cambojano. Ele dizia que era melhor irmos para um hospital. O guia veio, perguntou o que tinha ocorrido, olhou o machucado e disse em espanhol: "quando você vai embora?" eu respondi que dali uns três dias. Então ele disse, "melhor você ir a um médico do seu país...aqui não é recomendado" (o Camboja é um país muito pobre e o único "hospital" que vi tinha uma fila enorme na frente e só atendia crianças (os pais as entregavam doentes e ficavam na calçada embaixo do sol de 40 graus esperando)). Achei melhor também e dei graças ao ceus por não ter tido a fratura exposta que eu pensei que tivesse. 

Lavei com água mineral e fiquei assim por mais alguns dias, só lavando e sentindo dor até voltar para o Brasil. Assim que cheguei, procurei o Instituto Pasteur na Paulista e o médico que me atendeu disse: "O virus da raiva fica incubado alguns dias antes de se manifestar. Caso ele não tenha se manifestado, a vacina que você tomará pode dar conta do recado (cinco doses durante cinco semanas). Se ele já começou a se manifestar, infelizmente raiva é uma doença que não tem cura e é uma das mortes mais dolorosas que existe, dá caimbra no corpo todo até que o coração pára...". Quase tive um treco! Que médico frio! Nem para fazer uma salinha e me dar a notícia em doses homeopáticas! Assim direto na lata! A minha vida toda e a cena da macaca passaram pela minha mente. Tomei a primeira injeção e comecei a rezar para que a maldita que me mordeu não tivesse raiva. Passei essas cinco semanas neurótica. A única coisa que me confortava era que eu sabia que os cambojanos comiam aqueles macacos, então talvez eles não tivessem raiva (pois se tivessem, acredito que o povo não comeria, certo?)

O machucado demorou muito para cicatrizar e o roxo para desaparecer. A cada injeção eu tinha mais certeza de que não tinha me infectado com raiva, mas a qualquer sinal de caimbra na perna meu coração pulava...Bem, hoje estou aqui podendo contar esta história. Esta que me deixou com um certo trauma de macacos...e que me fez talvez deixar de querer chegar tão perto de animais selvagens. Já imaginou se isso tivesse acontecido com os animais abaixo?


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A lenda da demissão no aniversário...

Resolvi contar hoje a história que deu origem à lenda da demissão na data de aniversário. Esta história tem que ser esclarecida, porque ainda hoje o pessoal mais velho fica assustando os mais novos com essa lenda.

Tudo começou com um estagiário de desenvolvimento Java que tive em 2004/2005. Além de apresentar uma certa dificuldade em desenvolver sua lógica de programação, ele dormia durante o estágio e quebrava cadeiras (vou abrir aqui um parênteses para contar sobre este fato: esse "ser" vivia tombando o encosto da cadeira para trás até encostar as mãos no chão, e eu vivia alertando-o sobre a possibilidade de um dia a cadeira quebrar. Um belo dia:  quebrou! Imaginem uma pessoa de quase 1,90 m de altura espatifada no chão, pés para o alto com a cadeira ao meio. Risadas e constrangimento à parte, dias depois ele continuou balançando a cadeira e empurrando seu encosto. Obviamente, outra cadeira quebrou, e sem paciência eu disse a ele que descontaria o prejuízo do salário dele na próxima vez. Acho que este último alerta resolveu porque ele parou de balançar as cadeiras...).

A gota d'agua foi quando certa vez ele escreveu um programa e apontou que um erro ocorria e ele não conseguia identificar o porquê.  Eu e mais um desenvolvedor sênior ficamos a tarde inteira analisando o progama para tentar achar o que acontecia. O código era mais ou menos assim:


if (x1 == x2 && True) {
   'fazer um monte de coisas{
else {
  ' levantar uma exceção (erro)}

Debugando, víamos que x1 era igual a x2, então deveria entrar no if...('fazer um monte de coisas'), só que não entrava. O código pulava e subia uma exceção! Estávamos até achando que havia algum problema na linguagem Java que desconhecíamos. Depois de muito suor, resolvemos olhar o resto da classe e encontramos a seguinte declaração no início:

private boolean True = false;

COMO É QUE A GENTE IA ADIVINHAR QUE A VARIÁVEL TRUE CONTINHA FALSE?!?!

Quase tivemos um treco! Depois dessa e mais algumas, resolvemos dispensá-lo. Eu e mais um outro desenvolvedor senior o chamamos para a sala de reunião, explicamos todos os problemas e dissemos que não tinha mais jeito. Ele ficou muito chateado mas acabou entendendo a situação. Saí da sala primeiro e voltei ao meu local de trabalho. Alguns minutos depois, este senior me liga no celular e diz: "Maggie, ele acabou de me contar que hoje é aniversário dele! e pior, ele marcou uma balada para comemorar com os amigos! Nós o mandamos embora no dia do seu aniversário!!". Quase tive um colapso...um filme passou pela minha cabeça...por que eu não me atentei a esse detalhe antes? ver se era o aniversário? se tivesse visto, poderia deixar para o dia seguinte! Nunca mais tive oportunidade de falar com ele e pedir-lhe desculpas por esta tremenda mancada.

A questão é que esta história se perpetuou. Até hoje, o pessoal fica aterrorizando os mais novos dizendo que eles devem tremer se eu perguntar a data de aniversário, ou que eles devem evitar fazer coisas erradas nesta data. Há aqueles que quando recebem uma bronca dizem: "Ainda bem que meu aniversário este ano já passou!" e outros retrucam: "...é, mas tem o ano que vem!" .

Apesar do fato ter realmente ocorrido, não há o que temer...pretendo ser mais cuidadosa se isso tiver que acontecer novamente...hehehehehe

Um pai sem noção....

Uma das histórias que mais marcaram minha vida em recrutamento e seleção aconteceu em 2003 mais ou menos. Apesar de hoje parecer engraçada, na época fiquei furiosa!

Um estagiário que trabalhava comigo indicou um amigo seu para uma vaga de desenvolvedor Visual Basic (VB). Chamei o candidato "X" para uma entrevista comigo (não divulgarei nomes das pessoas citadas para não criar constrangimentos ou processos por danos morais...). Apliquei um teste básico de lógica de programação e durante a entrevista percebi que "X" não conhecia muita coisa da nossa área (tecnologia), mas era um garoto com muita vontade de crescer, aprender. Como estava realizando várias entrevistas, resolvi aguardar o processo de todos os candidatos, para então tomar a decisão sobre a contratação que precisava.

No dia seguinte, recebi um telefonema do pai do "X". Muito amavelmente, ele se apresentou e disse que tinha resolvido me ligar para me dizer que eu deveria contratar seu filho. Disse-me que seu filho era "tudo de bom", que era muito competente e que eu não ia me arrepender. Agradeci gentilmente e expliquei-lhe que havia muitos candidatos ainda para entrevistar, que eu me decidiria pelo que melhor se saísse e que ao fim do processo daria um retorno. Ele ainda insistiu um pouco e eu consegui encerrar a conversa dizendo que consideraria os pontos positivos do filho dele.

Ao final do outro dia, o pai de "X" me ligou novamente. Falou que eu realmente tinha que contratar o filho, que ele era um espetáculo, etc. Já perdendo a paciência, expliquei a ele que o filho dele não tinha os conhecimentos técnicos necessários para estagiar conosco (no caso, algum conhecimento de VB ou lógica de programação), mas que ainda assim eu consideraria seu potencial em aprender. Ele me afirmou que "esse VB" não seria um problema, que ele tinha certeza que o filho seria muito melhor que os outros. Daí, completamente irritada, eu disse a ele que ele estava estragando o processo do filho. Que se para contratar, ele estava agindo assim, imagine depois de contratado. Ele ia ficar pedindo promoção para o filho, batendo à minha porta cada vez que o filho fosse repreendido ou criticado, etc. Ele também ficou nervoso, porque percebeu a minha resistência em contratar seu amado bebê. Ele começou a gritar comigo no telefone e eu perdi totalmente o controle. Comecei a gritar também, e nisso todo mundo ao meu redor parou para ficar ouvindo. Consegui fazer com que ele parasse de gritar e acabei dizendo "O SEU FILHO ESTÁ FORA DO PROCESSO! Você tem que deixá-lo crescer, ser independente. Ele vai morrer de vergonha de você ao saber desta palhaçada. Por causa de você, ele perdeu qualquer chance de vir trabalhar aqui!" e bati o telefone na cara dele.

O amigo que o indicou queria se esconder embaixo da mesa. Pediu mil perdões pelo comportamento idiota do pai do "X". Disse que até chegou a ir na casa do amigo depois para tirar satisfações desta situação, e acabou perdendo o contato com o amigo de tão constrangido que ficou. Eu disse a ele que ele não tinha culpa do ocorrido, que podia relaxar. Mas isso acabou sendo sempre motivo de piadas para os demais (não é para menos).

Não me orgulho de ter agido assim com o pai desta criança, mas convenhamos, ele foi um sem noção!