sábado, 24 de março de 2012

Pensei que seríamos presos no Vietnã. Japoneses com passaporte brasileiro falso.

Em 2011, quando chegamos ao Vietnã vindo do Laos, estávamos com duas turistas argentinas e um chileno. Ao sair do avião, dirigimo-nos ao setor de imigração de lá. Eu e Edinho já tínhamos tirado o visto vitnamita aqui no Brasil mesmo, então estávamos sossegados (ao contrário do chileno que estava conosco, que precisava tirar o visto lá na hora).

Como em muitos aeroportos internacionais, uma fila única levava a vários guichês onde se encontravam policiais vitnamitas, com caras nada amistosas, vestidos com aqueles uniformes verdes com detalhes em vermelho que lembram soldados na guerra.

As duas argentinas se dirigiram a dois guichês e eu a outro (Edinho permaneceu na fila). Fazendo cara de simpática, com um sorriso de miss, entreguei meu passaporte ao policial, que sentado olhava com cara de poucos amigos. Ele olhou a página com o visto, buscou a foto do passaporte e começou a olhar para minha cara. Olhava para a foto e para mim, foto, Maggie, foto, Maggie, como aquele cara da TV que fazia "cara crachá, cara crachá". Na hora, gelei...Muito mais tempo do que as argentinas tinham levado para serem liberadas...Quando ele me disse algo impronunciável que parecia uma pergunta em vietnamita, comecei a tremer...eu dizia em inglês "I don´t understand" e ele continuava falando no idioma deles...Falou então em um inglês macarronico "you, japan" e eu disse "no, brazil". Ele apontava minha cara e resmungava coisas como ..."voce é japonesa, tem olhos puxados". Olhei para trás, procurando o Edinho na fila, e ele já estava em outro guichê. Pelo visto, estava tendo o mesmo problema que eu. Lembrei que tinha lido que o Vietã tinha certa mágoa dos japoneses pela invasão na Segunda Guerra Mundial... fiquei pensando se isso seria o problema...

O policial que estava me atendendo, chamou então um outro que parecia o chefe de todos eles (mais alto, gordo, mais velho e imponente). Este outro também ficou fazendo "cara crachá". Ele disse alguma coisa e saíram os dois do guichê. Vixi, nessa hora pensei que fosse ser presa. Chamaram um terceiro, que provavelmente falava inglês e este me perguntou: "O que vieram fazer aqui? Para onde vão?" Comecei então a explicar em inglês (lentamente para que eles pudessem entender) que estava vindo do Laos com as duas argentinas que estavam paradas nos aguardando logo depois dos guichês. Esse policial então disse, "mas elas são argentinas e vocês japoneses?" "como podem estar juntos?" Expliquei que estávamos no mesmo grupo de turismo, que tínhamos ido ao Laos e depois do Vietnã íamos ao Camboja (vejam depois o que aconteceu lá: "Mordida por uma macaca" ). Ele ainda ficou falando "mas você é japonesa, como pode ter passaporte brasileiro?" Nessa hora entendi o que estava ocorrendo...eles achavam que éramos japoneses com passaportes falsos do Brasil...

Comecei então explicar que meus avós eram japoneses e que na época da guerra foram ao Brasil se refugiar... Meus pais tinham nascido no Brasil e eu e o Ed também, nem sabíamos falar japones...tive que explicar que nossos avós fugiram do Japão na guerra e tinham constituído uma família no Brasil. Disse que no Brasil tinha gente do mundo todo. Chineses, japoneses, ingleses, italianos, etc. Não citei vietnamitas porque não me recordo de ter encontrado algum por aqui. Quando o chefe de todos fez um leve movimento com a cabeça, entendi que ele tinha entendido a história...o policial que estava com o Edinho carimbou algo no passaporte, e o meu voltou ao seu posto. Pegou o carimbo e bateu em meu passaporte. Nossa, que alívio...Passei um medão. Naquele momento me passou pela cabeça aqueles filmes de estrangeiros que são presos em países assim por causa de drogas, e são condenados a ficar naquelas cadeias imundas, dependendo de consulados que não podem fazer nada...

Fomos à esteira de malas onde estavam somente as nossas (todos os demais passageiros já tinham se retirado daquela área). Aguardamos o chileno que conseguiu demorar mais para tirar o visto do que nós naquela saga com os policiais vietnamitas.

Hoje, rimos muito desta história...o frio na barriga, o constrangimento, a história de nossa família exposta assim, no meio da Imigração Vietnamita. Fico pensando se não houvesse algum policial lá que falasse inglês...o que teria ocorrido conosco...

quarta-feira, 21 de março de 2012

Eu, Edinho e os peixinhos a pé na Rodovia Anhanguera

Nesta época do ano (Sexta Feira Santa), sempre lembro desta história que aconteceu em 2006 ou 2007. Na época, relatei a história em um email para meus amigos, mas infelizmente este email se perdeu, restando apenas estas memórias que não querem se apagar (talvez por causa do mico que passamos?).

Eu e Edinho íamos passar o feriado em minha cidade natal, e como sempre, passamos antes no Mercadão para comprar peixes para minha família. Como em todas as vezes, pedimos para o atendente da peixaria colocar bastante gelo na sacolinha para que os peixes aguentassem a viagem de duas horas.

Fomos pela Rodovia dos Bandeirantes e acessamos a Rodovia Anhanguera em Jundiaí para chegar a Campinas. Logo depois do acesso da Bandeirantes para a  Anhanguera, em frente à central das Casas Bahia, avistamos um policial rodoviário acenando para nós...Paramos o carro, baixamos os vidros e o guarda nos falou que havia nos parado, porque naquele fim de semana eles estavam testando um novo equipamento (radar) que detectava carros com problemas de documentação  (sem licenciamento ou ipva pagos), e meu carro tinha sido contemplado...Edinho que estava ao volante, olhou para mim e pediu o documento do carro. Na hora, enquanto revirava minha bolsa à procura do maldito, eu falava "mas eu licenciei o carro", "tenho certeza"...Ao encontrar o documento, Edinho olhou para o ano de exercício e disse..."este é do ano anterior...cade o atual?" Vixi...gelei...e o guarda na janela só esperando...eu continuei falando para o guarda que tinha certeza de ter licenciado, eu sempre fazia via internet. Provavelmente tinha esquecido de colocar o documento atual na carteira...

O guarda muito educado disse que ia fazer uma consulta na central e se dirigiu ao rádio do seu carro. Enquanto isso, Edinho perguntava: "tem certeza?", e eu, com a maior convicção do mundo falava, "claro, eu nunca esqueço" "vai ver que este novo radar tem problemas...". Quando o guarda voltou, disse que tinha consultado no Detran e em algum outro lugar, e nos dois constava que eu não tinha licenciado. Falei novamente que devia haver um engano. Até o comprovante do licenciamento eu tinha. Ele disse então que poderíamos pedir para alguém levar o comprovante até o local que ele aguardaria. Na hora, ligamos para o pai do Edinho e pedimos para ele ir até nossa casa procurar o documento. Tentava explicar para ele o lugar onde provavelmente o documento se encontrava, mas por causa do barulho da estrada, ele quase não ouvia nada. Em um ato inconsciente, fechei as janelas do carro para poder conversar melhor no celular. Ao finalizar, saí do carro e falei para o guarda que o documento chegaria em breve.

Nesta hora, o guarda (que devia estar se matando de rir por dentro de mim pelas minhas tentativas de convencê-lo de que o sistema estava errado) olhou para os  vidros do carro e disse que aquele insulfilme não era permitido por lei (tinha colocado um filme bem escuro com medo de assaltos). Argumentei com ele de que se tratava de um com visibilidade de 75% (na verdade, acho que era de 25%). Mostrei até o carimbo na película. Obviamente ele não acatou e  disse "ou vocês tiram o filme agora ou vou dar uma multa". Como não tínhamos nada para fazer naquele momento enquanto aguardávamos o pai do Ed com o documento, ficamos lá, duas bestas tirando o filme na mão...acho que todo carro que passava na estrada devia rir muito da gente. Nossas unhas e pontas dos dedos ficaram até roxas de tanto esfregar a porcaria da película (como aquela cola é boa...o treco não sai mesmo).

Passados uns trinta minutos, o pai do Edinho ligou já da minha casa e disse que não encontrara documento ou recibo de pagamento algum onde eu tinha falado. Putz, gelei de novo...Pedi que procurasse em mais algumas pastinhas, mas nada. Resolvi então assumir a grande caca e me dirigi ao guarda para falar que não tínhamos encontrado o documento ou o recibo. Na hora, ele nos aplicou mais uma multa e disse que estava chamando um guincho para apreender o automóvel. Indignada, perguntei se ele achava que íamos ficar lá, a pé...ele disse que se quiséssemos, poderíamos pegar uma carona até o posto da Autoban para onde o carro seria levado e de lá chamar um taxi...Imediatamente ligamos para o pai do Edinho e pedimos para ele ir lá nos buscar. Como estávamos a 60 km de São Paulo, ficamos eu, Edinho e o saquinho de peixes com gelo sentados na grama, na beira da estrada. Quem passava não devia entender nada. Edinho nem falava nada, mas pela cara dele nem precisava, né. Depois que o guincho chegou e levou o auto, o guarda foi embora. Depois de uns 40 minutos, o pai do Edinho chegou para nos buscar.

Na segunda feira, tive que correr para o banco para licenciar o veículo. Precisei aguardar uns dois dias para o sistema do Detran atualizar o status do pagamento e liberar o documento novo. Quando fui até Jundiaí para pegar o veículo, descobri que tinha que pagar o uso do guincho e o "estacionamento" no pátio por uns 6 dias (lembrando que o carro foi guinchado na sexta feira...). Quase tive um treco. O valor da diária do pátio imundo onde o carro ficou era igual a uma diária em um prédio comercial da Av. Paulista. O valor do guincho era algo como um taxi de Jundiai a SP. Além de tudo isso, tinha as multas do licenciamento e do insulfilme que chegariam em breve. Pior, os vidros do carro estavam todos manchados de cola do insulfime...tirar aquela cola demorou uns dois dias de esfregão.

Desde esse episódio, Edinho sempre faz questão de licenciar os carros, por que será?

quinta-feira, 8 de março de 2012

O Grito

Resolvi contar esta história, porque a "vítima" aqui sempre a conta falando para todos que ficou traumatizada comigo. Apesar de hoje rirmos do fato, penso que o ocorrido tenha realmente deixado marcas profundas na criança...hehehehe - não revelarei seu nome, então tratá-lo-ei como "criança"

Estava eu trabalhando em uma atividade que exigia de mim muita concentração e a manipulação de muitos arquivos e programas. Todo este processo gerava como resultado uma atualização de um sistema muito crítico para a empresa e para seus clientes. Estava eu com uns 6 programas abertos, umas tres planilhas Excel, um editor de texto, alguns pdfs também abertos, realizando a tarefa há umas 5 horas. Todos esses arquivos e programas eram abertos conforme eu ia executando esse processo, pois havia uma certa dependência entre eles.

Em meio à minha concentração, ouvi essa pessoa dizer: "Preciso de um computador com Windows (ele usava Linux) para logar em um desktop remoto e trocar minha senha de rede". Como a maioria ao meu redor utilizava Linux, cedi meu lugar para ele e disse que poderia fazê-lo na minha máquina (lembrando que ela estava com uns 15 arquivos e programas abertos). Ele acessou outra máquina através da minha, fez o que tinha que fazer, me avisou: "ok, Maggie. obrigado" e voltou ao seu lugar.

Quando voltei ao meu lugar, percebi que ele, ao invés de sair da máquina remota, tinha dado logoff (saído) da MINHA MAQUINA!!! Todos os programas foram encerrados!!!! Na hora, meu sangue subiu, meu corpo esquentou e eu não consegui contar até 10 (prática que tenho executado nos últimos anos para conter meu lado explosivo). Eu dei um BERRO "CRIANÇA" "VOCÊ FECHOU TODOS OS MEUS PROGRAMAS!" "AI AI AI, TODO UM DIA DE TRABALHO!!" Todo mundo ao redor silenciou e travou. Ele então nem se fala. Estava lá no lugar dele tentando se esconder debaixo da mesa...Eu me sentei bufando e tive que fazer todo o processo do início (era difícil retomar de onde tinha parado). Depois de alguns minutos de silêncio, ouvi alguns falando para ele "Xi, não acredito que você fez isso com a Maggie", "nossa, é melhor você arrumar suas coisas", "ainda bem que hoje não é seu aniversário" ou ainda "quando é mesmo seu aniversário?" (vide A lenda da demissão no aniversário...)

Hoje, sempre que alguém fala: "Nossa Maggie, você mudou mesmo. Está mais calma, não estressa mais como antigamente", ele imediatamente retruca "A última vez que a Maggie gritou foi comigo, lembra Maggie?". Coitadinho...Sorry, criança. Prometi que nunca mais explodiria assim, principalmente com você.