sábado, 14 de dezembro de 2013

Uma história de guerreiras: as mães da UTI Neonatal

Ter a Lia com baixo peso, deu-me a oportunidade de conhecer um lado da história da maternidade que muitos nem sequer ouvem falar. Sempre que tratamos deste assunto, falamos e ouvimos histórias de alegria, mães e filhos recebendo alta em poucos dias, voltando para suas casas juntos. O que vivenciei nos poucos dias em que a Lia esteve na UTI neonatal foi bem diferente.

Para começar, na UTI não é possível ficar 24 horas com o o bebê. Só é possível amamentar de três em três horas, os pais (os homens) podem visitá-los três vezes ao dia em horários diferentes da amamentação, e as mães até podem ficar mais, mas há alguns horários que elas devem sair. Quando chega o horário da amamentação (às 6h, às 9h e assim por diante), vê-se uma fila de mães chegando, higienizando suas mãos e braços para poderem pegar seus filhinhos nas incubadoras. Esta fila não se forma nas madrugadas. São poucas as mães que vão amamentar à meia noite, às três e às seis. Os bebês cujas mães não podem estar presentes nos horários, são amamentados pelas enfermeiras com copinhos contendo fórmula ou leite materno doado. Durante a estadia na UTI, as mães são orientadas a receber uma aula de "ordenha", pois é possível retirar o leite com bombinhas e encaminhá-lo para doação ou para o seu próprio bebê nos horários em que a mãe não pode estar lá para amamentar. Há todo um ritual de troca de roupa, máscara, touca e higienização das mãos e braços antes da ordenha em si, pois não pode haver qualquer risco de contaminação do leite que será retirado.

Na UTI, há bebês muito pequenos, que nasceram prematuramente com 23 semanas ou mais e pouco mais de 400 gramas, e bebês que nasceram a termo (no tempo certo) mas com algum problema (baixo peso, problema respiratório ou cardíaco, etc). A maioria das mães que passa por ali tem alta hospitalar antes do bebê e é quando a saga começa. Na própria UTI, pude conhecer algumas mães já de alta, que vinham todos os dias de manhã e iam embora à noite, só para amamentar ou ficar com seus bebês. Algumas já estavam nesta rotina há meses, o que me causou muito espanto.

Enquanto a mãe está também internada, há o desconforto de se deslocar de seu quarto para a UTI, que na maioria das vezes fica em andar diferente, e também de ter que ficar em uma cadeira sentada ao lado da incubadora de seu neném, com seu bebê no colo (quando possível) por pouco tempo, mas ainda assim, é muito melhor do que quando se tem alta. Como tive a Lia na terça, dia 13/08 e alta no dia 17, passei por isto alguns dias... Depois da alta, há o momento extremamente triste de sair do hospital sem seu bebê, chegar em casa literalmente de mãos vazias, e passar a noite inteira morrendo de chorar por ter frustrada qualquer expectativa de primeira noite com seu bebê em casa. Todas as mães que conheci passaram por isso e me alertaram que o primeiro dia em casa seria difícil. Comigo não foi diferente...

No primeiro dia depois da alta, dirigi-me ao hospital para dar a primeira mamada às 9hs, e na sequência fui à "sala das mães da UTI", uma sala com TV, chá, biscoitos, sofás, onde as mães aguardam a hora para verem e amamentarem seus bebês. Fui carinhosamente recepcionada por algumas mães que estavam lá (assim como todas as outras que chegaram depois). Elas me explicaram o esquema para solicitar refeições e café da manhã para o dia seguinte e perguntaram o porquê de eu estar lá. Expliquei que a Lia era PIG (pequena para idade gestacional), mas que tinha nascido a termo (dentro do prazo correto). Todas elas me falaram; "Ah, então ela sairá rapidinho!". Quando perguntei quanto tempo elas estavam lá, uma delas disse que fazia 47 dias, outra 55 (o que já me causou espanto), mas que a recordista era uma das mães que estava nesta vida há mais de 90 dias. Ela havia tido gêmeos com 26 semanas de gestação, um deles havia falecido logo nas primeiras semanas na UTI e o outro ainda ficaria lá mais algumas semanas (além dos 90 dias que já estava.

Conversei muito com elas (não se tem muito o que fazer até às 21hs, horário que a maioria vai dar a última mamada do dia e depois vai embora para suas casas. Ou você está com seu bebê na UTI quando pode, ou está ordenhando ou fica lá nesta salinha). Ali, notei como a união e a solidariedade se fazem presentes. Todas entendem o que as demais estão passando, não há distinção de raça, classe social, origem. A luta pela sobrevivência de seus bebês é a mesma. A esperança de que eles tenham alta logo é compartilhada por todas, e o sofrimento que este momento causa também. Ali conheci mães cujos maridos não compreendiam a situação e chegavam a culpá-las pelo que estava ocorrendo; mães desgastadas pelo cansaço da jornada, cientes de que não conseguiriam retornar a seus trabalhos porque a licença maternidade terminaria e seus bebês ainda precisariam delas ali ou em casa; mães vindas de outras cidades, gastando fortunas com estacionamento, flats, locomoção, tudo para ficar próximas de seus bebês. Algumas, mesmo estando ali por dezenas de dias, mantinham ou pelo menos tentavam manter, o alto astral. Conversavam com todas, reconfortavam aquelas mais tristes com palavras de esperança e fé. Outras, estavam ali revoltadas, chorosas, em uma agonia sem fim. As recém chegadas como eu, ainda tentavam entender o que era tudo aquilo. Algumas outras com  mais tempo de casa se despediam, porque seus bebês estavam tendo alta.

Das mães que conheci, quero expor a história de duas delas que me deixaram bastante impressionada:
- uma teve trigêmeos. Um deles teve alta junto com ela e dois ficaram  na UTI para ganhar peso. Passados alguns dias, um dos dois foi para a semi intensiva e o outro menor, ficou na UTI. Admirei  a saga que essa mãe enfrentou: cuidava de um bebê em casa, ia para o hospital de manhã para amamentar o que estava na UTI e o que estava na semi (em horários diferentes é claro) e voltava à noite para casa para cuidar do primeiro. Logo que a Lia foi para a semi, o bebê que estava lá teve alta e o pequeno da UTI foi para a semi. Logo ela estaria em casa com os três (depois que os bebês vão para a semi, normalmente têm alta em dois dias).
- outra mãe que havia tido gêmeos e um deles morrera no parto, foi um dia à sala das mães da UTI para se despedir. Seu outro bebê falecera depois de 26 dias internado. Foi de cortar o coração...Todas as mães se despediram dela, falando que mais um anjinho chegara aos céus e que logo ela seria abençoada com outra gravidez.

Perto das histórias destas mães que conheci, a minha não era nada. No dia que tive alta e voltei sem a Lia para casa, chorei a noite inteira, porém com muito peso na consciência, pois sabia que a Lia sairia de lá em poucos dias. Perto daquelas mães que estavam lá há meses ou que sabiam que iam ainda ficar mais dois ou três meses, a minha situação era incomparável. Mas como elas todas haviam dito, chegar em casa sem seu bebê no colo era muito difícil. Só passando por isso para saber a dor.
Graças a Deus a Lia teve alta no dia 19 e pude me despedir destas guerreiras que conheci. Agradeço muito ter tido esta experiência, sem a qual continuaria vendo a maternidade como um conto de fadas com final feliz. Nem sempre o é, e saber disso me fez crescer muito como pessoa.


 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O barraco no estacionamento da empresa

É queridos amigos, quem acompanha meus posts no Facebook e Twitter ficou sabendo que os manobristas lá no prédio onde trabalho bateram meu carro que não tem nem três meses...

Armei um barraco na terça à noite, na quarta de manhã e na quarta à noite de novo. O estrago nem é tão grande, mas o que me tira do sério é gente que tenta me enganar e ainda me chama de mentirosa! Eu iria até o fim dessa história, porque virou questão de honra! Na noite passada (quarta, dia da última dicussão), nem consegui dormir direito, e pior, saí tão brava lá da empresa depois de promover um barraco digno de Carminha da Avenida Brasil, que devo ter tomado uma multa de excesso de velocidade na 23 de maio (esqueci do radar...) e quase tive um treco (senti dores no peito).

Fiquei matutando a noite e a manhã inteira também, maneiras de provar que a batida havia ocorrido lá na garagem da empresa e que os manobristas não estavam raciocinando, já que todos os argumentos contra mim eram facilmente invalidados, e os meus fortemente plausíveis. Pensei em fazer BO na delegacia e fiquei imaginando a cara do policial que fosse fazer a vistoria (o estrago no pára-choque deve ter uns 7 por 4 cms). Imaginei-me acionando o meu seguro para que este fosse atrás dos culpados, colocando queixa no Procon, ReclameAqui, etc.etc.etc.

Acabei decidindo escrever (isso mesmo, escrever) uma carta para os manobristas, para o supervisor do estacionamento e para o perito que iria ver se era possível meu carro ter batido lá. Nesta carta, explicaria o ocorrido e colocaria no final um questionário que os levaria a pensar como eu (já que explicar (aos berros, eu confesso) não estava adiantando nada, quem sabe se eu conseguisse fazê-los refletir e chegar às minhas conclusões?)

Bem, a carta entregue hoje pela manhã ao responsável pelo estacionamento está logo abaixo. Ela foi entregue com os seguintes dizeres "Bom Dia. Não quero mais ficar brigando com vocês. Gostaria que lessem minha carta e respondessem ao meu questionário. Quem sabe vocês vão conseguir enxergar o porquê de eu estar afirmando que o incidente ocorreu aqui. Obrigada".

Antes de publicar minha carta, gostaria de compartilhar com vocês que recebi uma ligação do supervisor geral do estacionamento hoje à tarde, solicitando que eu apresentasse dois orçamentos de qualquer oficina que eu desejasse, mais a cópia do documento do carro que eles iriam pagar o prejuízo. Com a alegria de uma criança que ganha um videogame no Natal, perguntei se tinha conseguido convencê-los. Ele informou-me que viu nos vídeos que não havia sido feita a vistoria adequada na entrada do veículo, e que como não havia sido indicada a presença de qualquer problema, eles assumiriam o prejuízo. O manobrista que pegou o carro na entrada teria que arcar com 50% do valor do conserto.

Segue o documento entregue:

Entreguei meu auto no dia 10/09, segunda-feira, perto das 9 da manhã. À noite, na própria segunda, (às 19:15 hs mais ou menos) informei ao manobrista Wagner que não iria sair com meu automóvel, pois iria embora com meu marido em outro auto.

No dia 11/09, solicitei o auto perto das 20:30 hs. Enquanto aguardava fiz uma ligação no celular. Quando o carro chegou conduzido pelo Wagner, iniciei minha vistoria ao redor do carro (hábito que sempre tive e que foi recomendado pelos próprios responsáveis do estacionamento e do condomínio), e ao identificar uma mancha branca no pára-choque preto traseiro, ainda falando ao celular, apontei para o Wagner ver. Ele olhou mais de perto a mancha e depois que desliguei o telefone, agachei e passei a mão para ver se era só uma mancha ou se era batida. Ao identificar o estrago, avisei o Wagner que estava notificando a presença de estrago que não estava antes quando entreguei o carro no dia anterior. Ele me fez preencher um caderno relatando o sinistro e disse que ia falar com o Eric. (Aqui rolou o primeiro barraco, mas preferi omitir na carta).

No dia seguinte pela manhã, 12/09, quando falei com o Eric, ele disse que o Wagner já o havia informado sobre o ocorrido e que ele havia encontrado lascas de tinta amarela no chão depois e que não havia paredes com tinta amarela na garagem, logo o acidente não poderia ter ocorrido lá. Eu falei que não havia tinta amarela no pára-choque, que era um pó ou tinta branca. Descemos e ele me mostrou onde havia colocado o carro na segunda, e onde o carro estava no dia anterior (outra vaga), provavelmente porque foi manobrado para que eu pudesse ir embora. Avisei que o carro dormira na garagem e que não havia sido necessário manobrar, ou seja, alguém manobrou sem necessidade, sendo assim, na manobra, poderiam ter batido em qualquer canto de pilar, sem nem ter percebido a batida (até mostrei um canto, onde a tinta preta já tinha sido retirada e o concreto estava exposto,  e que poderia muito bem ter ocasionado o estrago, dado que havia pó branco no lugar do estrago).  
(Aqui rolou o barraco mais forte)

Pedi para acionar o perito e providenciar o conserto.

Para refletir e responder:
1) Quando o carro chega, há uma vistoria ao redor do carro para identificação de batidas ou arranhões, para que não haja contestação quanto à procedência de um desses itens caso ocorra dentro da garagem. Esta vistoria é gravada. Se quando cheguei não foi identificado nada, e na saída eu identifiquei (como eles mesmos recomendam fazer, NA HORA), já não significa que o acidente ocorreu dentro da garagem?
( ) SIM  ( ) NÃO 

2) Se a resposta acima foi NÃO, então a vistoria da entrada e a vistoria do condutor na saída não servem para nada?
( ) SIM  ( ) NÃO

3) Não é verdade que a vistoria (tanto minha quanto dos manobristas) de um carro novo como o meu (menos de três meses), é tão bem feita, que até risco de esmalte de unha preto foi identificado na maçaneta da porta uma vez?
( ) SIM  ( ) NÃO

 4) Quando avisei da mancha no pára-choque (eu ainda estava falando ao celular e não pus a mão no pára-choque), o Wagner VIU lascas de tinta amarela NO pára-choque ?
( ) SIM  ( ) NÃO

(além de eu NÃO ter visto, dele NÃO ter mostrado para mim na hora, o Eric e o Wagner mesmo falaram (no dia seguinte) que as lascas de tinta foram achadas no chão DEPOIS).

5) Caso a resposta de cima tenha sido NÃO como eles mesmos falaram (que foram achadas no chão), as lascas amarelas no chão podem ter outra procedência? (alguma bolsa colocada em um porta-malas qualquer, outro pára-choque, qualquer outro material que possa ter caído no chão)
( ) SIM  ( ) NÃO

6) Caso a resposta do item 4 tenha sido SIM , se as lascas do chão caíram do meu pára-choque, depois de ter rodado 17 km da minha casa até a empresa, deles terem manobrado até o subsolo, terem manobrado novamente para outra vaga, e depois terem trazido para mim para eu ir embora, as lascas não teriam caído em outro lugar? (Cair só com meu olhar bem na hora que eu vi e apontei seria bruxaria, não?)
( ) SIM  ( ) NÃO

7) Ainda caso a resposta do item 4 tenha sido SIM, se houvesse tinta amarela no pára-choque preto de um carro branco, a vistoria de entrada não teria visto? A dona do carro não teria visto antes também?
( ) SIM  ( ) NÃO

8) Foi me perguntado mais de uma vez se o auto tinha sensor de ré. O sensor apita “P” - Pare -quando atinge uma distancia de 50 cm. Todo manobrista pára quando o sensor apita aos 50cm, ou tenta encostar mais na parede para aproveitar espaço?
( ) Pára assim que apita   ( ) tenta encostar um pouco mais

Maggie

terça-feira, 24 de julho de 2012

E ele me tirou do sério...


Semanas atrás, entrevistei um menino que foi indicado por um amigo que trabalha conosco. Tirou uma nota mediana na prova escrita e até que foi bem na entrevista pessoal, então chamamos para a segunda etapa. Como fazemos com todos os candidatos, enviamos um estudo de caso sobre fundos imobiliários para ele estudar e montar uma apresentação para uma banca, e demos uma semana para o trabalho.

Na semana seguinte como de praxe, chamei três pessoas para assistir à sua apresentação. Reservei a sala, coloquei o notebook, o projetor. Deixei tudo pronto para a segunda etapa do processo. Quando ele chegou, recebi-o e perguntei se ele havia trazido a apresentação em um pen drive. Qual não foi minha surpresa quando ele disse que não tinha trazido...um mau pressentimento passou por mim...

Levei-o à sala onde os demais esperavam e perguntei: "Você não trouxe material algum? Vai fazer no gogó?". E ele, na calma disse que sim, que ia arriscar... "Então pode começar"...

A criança começou dizendo que havia conversado no dia anterior com uma tia que trabalhava com imóveis, e que ela tinha dito que o mercado imobiliário estava em crescimento e apresentando ganhos de 30% a 40%....longa pausa... como não falava mais nada, perguntei; "mas e os fundos? o que são fundos?" ....respondeu alguma coisa relacionada a investimentos em imóveis e travou... fiz mais uma ou duas perguntas relacionadas ao tema, só para me certificar de que ele não havia gasto nem uma hora lendo sobre o assunto. Como imaginava, a peste não conseguia responder nada. Na hora, fiquei pensando se mandava ele passear (para não expressar exatamente o que se passava pela minha cabeça) ou se educamente encerrava o processo e dispensava-o. Não resisti...uma cólera subiu do estômago para o meu cerebro e eu tinha que falar... Virei para a criança e disse: "Você acha bonito, né? Palhaçada quatro pessoas aqui pararem o trabalho delas para assistir ao seu processo, e você nem se dar ao trabalho de ler sobre o assunto passado...Por que você não pediu mais um tempo? Teríamos dado mais tempo para você se preparar!" ...Ele gaguejando, respondeu: " eu quis o desafio. Quis arriscar". Então respondi: "Arriscar????? Você "riscou" a empresa das suas opções de estágio! Se para se candidatar a uma vaga, você se mostra assim, imagina se trabalhasse conosco! Não tem responsabilidade!" Ele resmungou algo que parecia desculpas, e eu levei-o até a porta. Não consegui acreditar que alguém poderia ser tão newbie (sem noção). As outras pessoas que estavam na sala nem conseguiram falar nada de tão chocadas que ficaram. Como alguém pode pensar em passar por um processo seletivo que demanda um estudo de caso, e SÓ conversar com tia a respeito, ainda na noite anterior????

Comentei com meu amigo Arai que acho que a idade está me fazendo perder a paciência...ele sabiamente respondeu: "é a experiência que está fazendo você não tolerar mais certas coisas...".

Ah, mas essa situação tiraria qualquer um do sério, não???

(não é a primeira vez que sou trollada por um candidato...veja também

Trolada por um candidato
e
Quase trollada por dois irmãos! Por pouco não contratei um!

sábado, 24 de março de 2012

Pensei que seríamos presos no Vietnã. Japoneses com passaporte brasileiro falso.

Em 2011, quando chegamos ao Vietnã vindo do Laos, estávamos com duas turistas argentinas e um chileno. Ao sair do avião, dirigimo-nos ao setor de imigração de lá. Eu e Edinho já tínhamos tirado o visto vitnamita aqui no Brasil mesmo, então estávamos sossegados (ao contrário do chileno que estava conosco, que precisava tirar o visto lá na hora).

Como em muitos aeroportos internacionais, uma fila única levava a vários guichês onde se encontravam policiais vitnamitas, com caras nada amistosas, vestidos com aqueles uniformes verdes com detalhes em vermelho que lembram soldados na guerra.

As duas argentinas se dirigiram a dois guichês e eu a outro (Edinho permaneceu na fila). Fazendo cara de simpática, com um sorriso de miss, entreguei meu passaporte ao policial, que sentado olhava com cara de poucos amigos. Ele olhou a página com o visto, buscou a foto do passaporte e começou a olhar para minha cara. Olhava para a foto e para mim, foto, Maggie, foto, Maggie, como aquele cara da TV que fazia "cara crachá, cara crachá". Na hora, gelei...Muito mais tempo do que as argentinas tinham levado para serem liberadas...Quando ele me disse algo impronunciável que parecia uma pergunta em vietnamita, comecei a tremer...eu dizia em inglês "I don´t understand" e ele continuava falando no idioma deles...Falou então em um inglês macarronico "you, japan" e eu disse "no, brazil". Ele apontava minha cara e resmungava coisas como ..."voce é japonesa, tem olhos puxados". Olhei para trás, procurando o Edinho na fila, e ele já estava em outro guichê. Pelo visto, estava tendo o mesmo problema que eu. Lembrei que tinha lido que o Vietã tinha certa mágoa dos japoneses pela invasão na Segunda Guerra Mundial... fiquei pensando se isso seria o problema...

O policial que estava me atendendo, chamou então um outro que parecia o chefe de todos eles (mais alto, gordo, mais velho e imponente). Este outro também ficou fazendo "cara crachá". Ele disse alguma coisa e saíram os dois do guichê. Vixi, nessa hora pensei que fosse ser presa. Chamaram um terceiro, que provavelmente falava inglês e este me perguntou: "O que vieram fazer aqui? Para onde vão?" Comecei então a explicar em inglês (lentamente para que eles pudessem entender) que estava vindo do Laos com as duas argentinas que estavam paradas nos aguardando logo depois dos guichês. Esse policial então disse, "mas elas são argentinas e vocês japoneses?" "como podem estar juntos?" Expliquei que estávamos no mesmo grupo de turismo, que tínhamos ido ao Laos e depois do Vietnã íamos ao Camboja (vejam depois o que aconteceu lá: "Mordida por uma macaca" ). Ele ainda ficou falando "mas você é japonesa, como pode ter passaporte brasileiro?" Nessa hora entendi o que estava ocorrendo...eles achavam que éramos japoneses com passaportes falsos do Brasil...

Comecei então explicar que meus avós eram japoneses e que na época da guerra foram ao Brasil se refugiar... Meus pais tinham nascido no Brasil e eu e o Ed também, nem sabíamos falar japones...tive que explicar que nossos avós fugiram do Japão na guerra e tinham constituído uma família no Brasil. Disse que no Brasil tinha gente do mundo todo. Chineses, japoneses, ingleses, italianos, etc. Não citei vietnamitas porque não me recordo de ter encontrado algum por aqui. Quando o chefe de todos fez um leve movimento com a cabeça, entendi que ele tinha entendido a história...o policial que estava com o Edinho carimbou algo no passaporte, e o meu voltou ao seu posto. Pegou o carimbo e bateu em meu passaporte. Nossa, que alívio...Passei um medão. Naquele momento me passou pela cabeça aqueles filmes de estrangeiros que são presos em países assim por causa de drogas, e são condenados a ficar naquelas cadeias imundas, dependendo de consulados que não podem fazer nada...

Fomos à esteira de malas onde estavam somente as nossas (todos os demais passageiros já tinham se retirado daquela área). Aguardamos o chileno que conseguiu demorar mais para tirar o visto do que nós naquela saga com os policiais vietnamitas.

Hoje, rimos muito desta história...o frio na barriga, o constrangimento, a história de nossa família exposta assim, no meio da Imigração Vietnamita. Fico pensando se não houvesse algum policial lá que falasse inglês...o que teria ocorrido conosco...

quarta-feira, 21 de março de 2012

Eu, Edinho e os peixinhos a pé na Rodovia Anhanguera

Nesta época do ano (Sexta Feira Santa), sempre lembro desta história que aconteceu em 2006 ou 2007. Na época, relatei a história em um email para meus amigos, mas infelizmente este email se perdeu, restando apenas estas memórias que não querem se apagar (talvez por causa do mico que passamos?).

Eu e Edinho íamos passar o feriado em minha cidade natal, e como sempre, passamos antes no Mercadão para comprar peixes para minha família. Como em todas as vezes, pedimos para o atendente da peixaria colocar bastante gelo na sacolinha para que os peixes aguentassem a viagem de duas horas.

Fomos pela Rodovia dos Bandeirantes e acessamos a Rodovia Anhanguera em Jundiaí para chegar a Campinas. Logo depois do acesso da Bandeirantes para a  Anhanguera, em frente à central das Casas Bahia, avistamos um policial rodoviário acenando para nós...Paramos o carro, baixamos os vidros e o guarda nos falou que havia nos parado, porque naquele fim de semana eles estavam testando um novo equipamento (radar) que detectava carros com problemas de documentação  (sem licenciamento ou ipva pagos), e meu carro tinha sido contemplado...Edinho que estava ao volante, olhou para mim e pediu o documento do carro. Na hora, enquanto revirava minha bolsa à procura do maldito, eu falava "mas eu licenciei o carro", "tenho certeza"...Ao encontrar o documento, Edinho olhou para o ano de exercício e disse..."este é do ano anterior...cade o atual?" Vixi...gelei...e o guarda na janela só esperando...eu continuei falando para o guarda que tinha certeza de ter licenciado, eu sempre fazia via internet. Provavelmente tinha esquecido de colocar o documento atual na carteira...

O guarda muito educado disse que ia fazer uma consulta na central e se dirigiu ao rádio do seu carro. Enquanto isso, Edinho perguntava: "tem certeza?", e eu, com a maior convicção do mundo falava, "claro, eu nunca esqueço" "vai ver que este novo radar tem problemas...". Quando o guarda voltou, disse que tinha consultado no Detran e em algum outro lugar, e nos dois constava que eu não tinha licenciado. Falei novamente que devia haver um engano. Até o comprovante do licenciamento eu tinha. Ele disse então que poderíamos pedir para alguém levar o comprovante até o local que ele aguardaria. Na hora, ligamos para o pai do Edinho e pedimos para ele ir até nossa casa procurar o documento. Tentava explicar para ele o lugar onde provavelmente o documento se encontrava, mas por causa do barulho da estrada, ele quase não ouvia nada. Em um ato inconsciente, fechei as janelas do carro para poder conversar melhor no celular. Ao finalizar, saí do carro e falei para o guarda que o documento chegaria em breve.

Nesta hora, o guarda (que devia estar se matando de rir por dentro de mim pelas minhas tentativas de convencê-lo de que o sistema estava errado) olhou para os  vidros do carro e disse que aquele insulfilme não era permitido por lei (tinha colocado um filme bem escuro com medo de assaltos). Argumentei com ele de que se tratava de um com visibilidade de 75% (na verdade, acho que era de 25%). Mostrei até o carimbo na película. Obviamente ele não acatou e  disse "ou vocês tiram o filme agora ou vou dar uma multa". Como não tínhamos nada para fazer naquele momento enquanto aguardávamos o pai do Ed com o documento, ficamos lá, duas bestas tirando o filme na mão...acho que todo carro que passava na estrada devia rir muito da gente. Nossas unhas e pontas dos dedos ficaram até roxas de tanto esfregar a porcaria da película (como aquela cola é boa...o treco não sai mesmo).

Passados uns trinta minutos, o pai do Edinho ligou já da minha casa e disse que não encontrara documento ou recibo de pagamento algum onde eu tinha falado. Putz, gelei de novo...Pedi que procurasse em mais algumas pastinhas, mas nada. Resolvi então assumir a grande caca e me dirigi ao guarda para falar que não tínhamos encontrado o documento ou o recibo. Na hora, ele nos aplicou mais uma multa e disse que estava chamando um guincho para apreender o automóvel. Indignada, perguntei se ele achava que íamos ficar lá, a pé...ele disse que se quiséssemos, poderíamos pegar uma carona até o posto da Autoban para onde o carro seria levado e de lá chamar um taxi...Imediatamente ligamos para o pai do Edinho e pedimos para ele ir lá nos buscar. Como estávamos a 60 km de São Paulo, ficamos eu, Edinho e o saquinho de peixes com gelo sentados na grama, na beira da estrada. Quem passava não devia entender nada. Edinho nem falava nada, mas pela cara dele nem precisava, né. Depois que o guincho chegou e levou o auto, o guarda foi embora. Depois de uns 40 minutos, o pai do Edinho chegou para nos buscar.

Na segunda feira, tive que correr para o banco para licenciar o veículo. Precisei aguardar uns dois dias para o sistema do Detran atualizar o status do pagamento e liberar o documento novo. Quando fui até Jundiaí para pegar o veículo, descobri que tinha que pagar o uso do guincho e o "estacionamento" no pátio por uns 6 dias (lembrando que o carro foi guinchado na sexta feira...). Quase tive um treco. O valor da diária do pátio imundo onde o carro ficou era igual a uma diária em um prédio comercial da Av. Paulista. O valor do guincho era algo como um taxi de Jundiai a SP. Além de tudo isso, tinha as multas do licenciamento e do insulfilme que chegariam em breve. Pior, os vidros do carro estavam todos manchados de cola do insulfime...tirar aquela cola demorou uns dois dias de esfregão.

Desde esse episódio, Edinho sempre faz questão de licenciar os carros, por que será?

quinta-feira, 8 de março de 2012

O Grito

Resolvi contar esta história, porque a "vítima" aqui sempre a conta falando para todos que ficou traumatizada comigo. Apesar de hoje rirmos do fato, penso que o ocorrido tenha realmente deixado marcas profundas na criança...hehehehe - não revelarei seu nome, então tratá-lo-ei como "criança"

Estava eu trabalhando em uma atividade que exigia de mim muita concentração e a manipulação de muitos arquivos e programas. Todo este processo gerava como resultado uma atualização de um sistema muito crítico para a empresa e para seus clientes. Estava eu com uns 6 programas abertos, umas tres planilhas Excel, um editor de texto, alguns pdfs também abertos, realizando a tarefa há umas 5 horas. Todos esses arquivos e programas eram abertos conforme eu ia executando esse processo, pois havia uma certa dependência entre eles.

Em meio à minha concentração, ouvi essa pessoa dizer: "Preciso de um computador com Windows (ele usava Linux) para logar em um desktop remoto e trocar minha senha de rede". Como a maioria ao meu redor utilizava Linux, cedi meu lugar para ele e disse que poderia fazê-lo na minha máquina (lembrando que ela estava com uns 15 arquivos e programas abertos). Ele acessou outra máquina através da minha, fez o que tinha que fazer, me avisou: "ok, Maggie. obrigado" e voltou ao seu lugar.

Quando voltei ao meu lugar, percebi que ele, ao invés de sair da máquina remota, tinha dado logoff (saído) da MINHA MAQUINA!!! Todos os programas foram encerrados!!!! Na hora, meu sangue subiu, meu corpo esquentou e eu não consegui contar até 10 (prática que tenho executado nos últimos anos para conter meu lado explosivo). Eu dei um BERRO "CRIANÇA" "VOCÊ FECHOU TODOS OS MEUS PROGRAMAS!" "AI AI AI, TODO UM DIA DE TRABALHO!!" Todo mundo ao redor silenciou e travou. Ele então nem se fala. Estava lá no lugar dele tentando se esconder debaixo da mesa...Eu me sentei bufando e tive que fazer todo o processo do início (era difícil retomar de onde tinha parado). Depois de alguns minutos de silêncio, ouvi alguns falando para ele "Xi, não acredito que você fez isso com a Maggie", "nossa, é melhor você arrumar suas coisas", "ainda bem que hoje não é seu aniversário" ou ainda "quando é mesmo seu aniversário?" (vide A lenda da demissão no aniversário...)

Hoje, sempre que alguém fala: "Nossa Maggie, você mudou mesmo. Está mais calma, não estressa mais como antigamente", ele imediatamente retruca "A última vez que a Maggie gritou foi comigo, lembra Maggie?". Coitadinho...Sorry, criança. Prometi que nunca mais explodiria assim, principalmente com você.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Trollada por um candidato ...

Este fato aconteceu em dezembro/2011. Um dos estagiários que trabalha comigo indicou um amigo para estagiar em desenvolvimento. Liguei para a criança para agendar uma entevista e pedi a disponibilidade de horário. Ele colocou que seria melhor ir pela manhã. Como normalmente vou para o trabalho às 11 e a outra pessoa que faz entrevistas técnicas também entra mais tarde, tentei sugerir um horário após às 11 até às 20 hs. Ele colocou que não dava mesmo e acabamos marcando para às 10.

Naquele dia da entrevista, consegui chegar às 9:30 (normalmente eu pego um transito do cão para chegar este horário) e a outra pessoa também. Quando era 10:20, percebi que a criança não tinha aparecido ainda então liguei para ele para ver se algo tinha ocorrido. Após o telefone tocar algumas vezes, o "ser" atendeu com a maior voz de sono e quando disse que era a Maggie da MAPS, ele começou a se desculpar porque tinha esquecido. Como essas coisas acontecem com todos, acabei perdoando o "ser" e remarcando para dali a dois dias. Tentei novamente propor um horário mais tarde mas ele colocou novamente que não dava. Marcamos para às 10 de novo...

Quando avisei a pessoa que o avaliaria tecnicamente que o "ser" tinha perdido a hora e tínhamos remarcado para dali a dois dias, esta pessoa disse "Nossa, Maggie. Como você está boazinha! A Maggie que eu conheço não teria remarcado, além de socá-lo!". Outras pessoas acabaram fazendo o mesmo comentário, e eu acabei reconhecendo que a Maggie de alguns anos atrás teria brigado com ele...(não sei se em alguma outra história deu para perceber que eu era uma pessoa super estourada, hoje estou muito boazinha...)

Na segunda data, chegamos novamente mais cedo para poder fazer a entrevista no horário combinado (às 10) e adivinhem???? ELE ME TROLLOU!!! Quando vi que eram 9:55 e o "ser" não tinha aparecido, liguei na portaria e pedi para que eles dispensassem-no assim que ele chegasse. Ah, chegar atrasado sem ligar seria imperdoável dado o ocorrido na primeira vez. Pelo que entendi, ele nem apareceu e nem teve a decência de ligar para dar uma explicação ou pedir desculpas, ou mesmo mandar um email mostrando que tem um pingo de educação. Acabei concluindo que foi melhor isso ter ocorrido assim, pois obviamente ele não seria uma pessoa em quem poderíamos confiar caso viesse a ser contratado. Como contar com alguém sem responsabilidade?