sábado, 18 de fevereiro de 2012

A desculpa do envenenamento da caixa d'água...

Sabe que eu admiro muito a criatividade do ser humano...se fosse utilizada somente para coisas positivas, o mundo seria muito melhor! Este é mais um exemplo desta criatividade...

Contratamos uma vez um desenvolvedor java mais senior. Ele era sério, introvertido, e parecia ser um bom técnico. Quando resolvemos fazer um treinamento para uma galera mais nova que estava entrando, conversamos com ele e o colocamos como instrutor. Acho que no terceiro dia de aula, ele faltou sem dar explicações. Tivemos que rapidamente improvisar um novo instrutor (um outro desenvolvedor foi alocado para a aulinha). Durante esta substituição, este desenvolvedor que assumiu o treinamento nos contou que os alunos tinham dito que o outro havia falado que as classes abstratas eram instanciadas com new (para quem não conhece java, dizer isso é uma blasfêmia). Este novo instrutor tentou não "queimar" o outro e enrolou dizendo aos alunos que ele poderia ter se confundido, ou algo assim. Contou-nos a história e achamos difícil imaginar que alguém com tanta experiência pudesse ter um furo de conceito assim.

Ele acabou faltando mais alguns dias informando-nos de que estava doente, passando mal. Nos dias que se seguiram, ora ele vinha, ora não vinha. Quando vinha, não aparentava estar doente...mas que era um pouco folgado mesmo. Estava ficando complicado contar com ele. Seu conhecimento parecia não ter fundamento e os outros ao redor começaram a se incomodar com ele. Sempre tinha uma desculpa. Em uma das vezes, chamamos para conversar e ele explicou que não estava conseguindo trabalhar direito e que às vezes não estava vindo por causa de problemas de saúde mesmo. Apertando-o, ele disse que os vizinhos estavam envenenando a caixa d'agua dele!. De onde ele tirou isso, meus deuses! Falamos que era caso de polícia, que se ele tivesse provas ele deveria denunciar seus vizinhos, mas obviamente não havia consistência na estória (não "historia", pois era falsa mesmo).

Percebendo que não podíamos confiar nele e que no fundo ele não era tão bom (técnico) quanto imaginávamos, acabamos dispensando. Das desculpas para não trabalhar, até hoje esta foi a melhor. Quanta criatividade!

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