Essa história aconteceu em 2008 mais ou menos. Estava fazendo um processo seletivo para contratar analistas para a equipe que eu coordenava na época, então chamava os candidatos para fazerem uma prova, e dependendo do resultado chamava mais uma vez para uma entrevista. A prova continha questões de conhecimento geral como nomes de presidentes, questões de lógica, inglês, e também questões mais técnicas relacionadas ao mercado financeiro (o que é opção de ação, por exemplo).
Um dos candidatos que convocamos era um rapaz novinho, tímido, que tinha feito a prova de forma parcial e que resolvi chamar para uma entrevista pessoal (às vezes, fatores comportamentais superam as deficiências apresentadas na prova. Dependendo das questões que o candidato erra, vale a pena chamar). Infelizmente, a parte pessoal não foi suficiente para me convencer de que daria para contratá-lo, então ele não foi aprovado.
Dias depois, após muitos candidatos, chamei um outro garoto para a prova. Ele praticamente acertou 100%. Como era uma prova considerada difícil até para pessoas que trabalhavam conosco (tinha gente que dizia que se tivesse esta prova quando entrou, não teria sido aprovado), o fato deste candidato ter ido super bem, deu-me uma esperança de que faria mais uma contratação! Na entrevista pessoal, ele foi muito bem também. Apesar de novo, ele era bastante seguro e tinha muito jogo de cintura para responder questões que nem sabia a resposta. Como sempre, eu perguntei se ele já conhecia a empresa ou alguém da empresa, e ele disse que não conhecia. Então expliquei-lhe tudo e ao final da entrevista, falei que entraria em contato depois.
Estava praticamente certa de que ele seria uma das pessoas contratadas daquele processo seletivo, quando uma das analistas olhou o curriculo e disse "Maggie, você viu que coincidência? Ele tem o mesmo sobrenome daquele outro que já reprovamos" Na hora, olhei o CV e por ser um sobrenome comum para a comunidade japonesa, achei que era coincidência mesmo. Observando melhor, percebemos que o endereço também não era estranho. Recuperamos o outro curriculo e vimos que era o mesmo endereço, o mesmo telefone, o mesmo sobrenome! Eles eram irmãos e ele era o mais velho!! Possessa, peguei o telefone e liguei para o dito cujo. Ele atendeu todo feliz, achando que era o retorno do processo seletivo. Com toda a minha fúria na voz, eu disse "Você pensa que somos trouxas?" O menino começou a gaguejar e eu continuei "por que você não nos disse que seu irmão já tinha vindo fazer a prova e que você já sabia o que a empresa fazia por causa dele? Poderíamos ter aplicado uma prova diferente e feito o processo normalmente com você! Você acertou tudo na prova porque seu irmão contou tudo para você!". Falei que um bom profissional era honesto e que ele não tinha ética suficiente para trabalhar conosco. Disse que ele até teria grande chance de ser aprovado, mesmo não acertando tudo na prova, porque ele tinha se saído muito bem na entrevista. Ele ficava pedindo desculpas, gaguejando, dizendo que tinha ficado com receio de contar do irmão. Eu disse que ele NUNCA mais teria chances de participar de um processo na empresa, porque idoneidade era tudo! Ele ficava falando que a família dele era honesta, que não era isso que a mãe tinha ensinado, mas que pensou em ter uma pequena vantagem no processo, por isso não contou. Tinha medo de não ser aprovado. Eu disse, "então, isso é que fez você ser reprovado!".
Por pouco não o contratei. Pelo que analisei da entrevista, acredito que ele teria se dado bem na empresa. Era esforçado, tinha segurança. Acho que agiram ingenuamente e não de sacanagem. Tenho certeza de que aprendeu uma grande lição. Eu também aprendi muito...agora presto mais atenção em nomes, sobrenomes, além de perguntar sobre toda a família nas entrevistas. Depois desta história, muitos entrevistados entenderão o porquê das perguntas sobre seus irmãos, hehehehe!
Ahahahahaha!!
ResponderExcluirMas eu to rindo a toa!!!
Não que a vida esteja assim tão boa!!
Mas um sorriso ajuda a melhorar!! Ah ah aha!!
...e cantando assim parece que o tempo voa,
Quanto mais triste, mais bonito soa.
Eu agradeço por poder cantar.
Lá la ia laia laia êêêêê!!
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