quarta-feira, 21 de março de 2012

Eu, Edinho e os peixinhos a pé na Rodovia Anhanguera

Nesta época do ano (Sexta Feira Santa), sempre lembro desta história que aconteceu em 2006 ou 2007. Na época, relatei a história em um email para meus amigos, mas infelizmente este email se perdeu, restando apenas estas memórias que não querem se apagar (talvez por causa do mico que passamos?).

Eu e Edinho íamos passar o feriado em minha cidade natal, e como sempre, passamos antes no Mercadão para comprar peixes para minha família. Como em todas as vezes, pedimos para o atendente da peixaria colocar bastante gelo na sacolinha para que os peixes aguentassem a viagem de duas horas.

Fomos pela Rodovia dos Bandeirantes e acessamos a Rodovia Anhanguera em Jundiaí para chegar a Campinas. Logo depois do acesso da Bandeirantes para a  Anhanguera, em frente à central das Casas Bahia, avistamos um policial rodoviário acenando para nós...Paramos o carro, baixamos os vidros e o guarda nos falou que havia nos parado, porque naquele fim de semana eles estavam testando um novo equipamento (radar) que detectava carros com problemas de documentação  (sem licenciamento ou ipva pagos), e meu carro tinha sido contemplado...Edinho que estava ao volante, olhou para mim e pediu o documento do carro. Na hora, enquanto revirava minha bolsa à procura do maldito, eu falava "mas eu licenciei o carro", "tenho certeza"...Ao encontrar o documento, Edinho olhou para o ano de exercício e disse..."este é do ano anterior...cade o atual?" Vixi...gelei...e o guarda na janela só esperando...eu continuei falando para o guarda que tinha certeza de ter licenciado, eu sempre fazia via internet. Provavelmente tinha esquecido de colocar o documento atual na carteira...

O guarda muito educado disse que ia fazer uma consulta na central e se dirigiu ao rádio do seu carro. Enquanto isso, Edinho perguntava: "tem certeza?", e eu, com a maior convicção do mundo falava, "claro, eu nunca esqueço" "vai ver que este novo radar tem problemas...". Quando o guarda voltou, disse que tinha consultado no Detran e em algum outro lugar, e nos dois constava que eu não tinha licenciado. Falei novamente que devia haver um engano. Até o comprovante do licenciamento eu tinha. Ele disse então que poderíamos pedir para alguém levar o comprovante até o local que ele aguardaria. Na hora, ligamos para o pai do Edinho e pedimos para ele ir até nossa casa procurar o documento. Tentava explicar para ele o lugar onde provavelmente o documento se encontrava, mas por causa do barulho da estrada, ele quase não ouvia nada. Em um ato inconsciente, fechei as janelas do carro para poder conversar melhor no celular. Ao finalizar, saí do carro e falei para o guarda que o documento chegaria em breve.

Nesta hora, o guarda (que devia estar se matando de rir por dentro de mim pelas minhas tentativas de convencê-lo de que o sistema estava errado) olhou para os  vidros do carro e disse que aquele insulfilme não era permitido por lei (tinha colocado um filme bem escuro com medo de assaltos). Argumentei com ele de que se tratava de um com visibilidade de 75% (na verdade, acho que era de 25%). Mostrei até o carimbo na película. Obviamente ele não acatou e  disse "ou vocês tiram o filme agora ou vou dar uma multa". Como não tínhamos nada para fazer naquele momento enquanto aguardávamos o pai do Ed com o documento, ficamos lá, duas bestas tirando o filme na mão...acho que todo carro que passava na estrada devia rir muito da gente. Nossas unhas e pontas dos dedos ficaram até roxas de tanto esfregar a porcaria da película (como aquela cola é boa...o treco não sai mesmo).

Passados uns trinta minutos, o pai do Edinho ligou já da minha casa e disse que não encontrara documento ou recibo de pagamento algum onde eu tinha falado. Putz, gelei de novo...Pedi que procurasse em mais algumas pastinhas, mas nada. Resolvi então assumir a grande caca e me dirigi ao guarda para falar que não tínhamos encontrado o documento ou o recibo. Na hora, ele nos aplicou mais uma multa e disse que estava chamando um guincho para apreender o automóvel. Indignada, perguntei se ele achava que íamos ficar lá, a pé...ele disse que se quiséssemos, poderíamos pegar uma carona até o posto da Autoban para onde o carro seria levado e de lá chamar um taxi...Imediatamente ligamos para o pai do Edinho e pedimos para ele ir lá nos buscar. Como estávamos a 60 km de São Paulo, ficamos eu, Edinho e o saquinho de peixes com gelo sentados na grama, na beira da estrada. Quem passava não devia entender nada. Edinho nem falava nada, mas pela cara dele nem precisava, né. Depois que o guincho chegou e levou o auto, o guarda foi embora. Depois de uns 40 minutos, o pai do Edinho chegou para nos buscar.

Na segunda feira, tive que correr para o banco para licenciar o veículo. Precisei aguardar uns dois dias para o sistema do Detran atualizar o status do pagamento e liberar o documento novo. Quando fui até Jundiaí para pegar o veículo, descobri que tinha que pagar o uso do guincho e o "estacionamento" no pátio por uns 6 dias (lembrando que o carro foi guinchado na sexta feira...). Quase tive um treco. O valor da diária do pátio imundo onde o carro ficou era igual a uma diária em um prédio comercial da Av. Paulista. O valor do guincho era algo como um taxi de Jundiai a SP. Além de tudo isso, tinha as multas do licenciamento e do insulfilme que chegariam em breve. Pior, os vidros do carro estavam todos manchados de cola do insulfime...tirar aquela cola demorou uns dois dias de esfregão.

Desde esse episódio, Edinho sempre faz questão de licenciar os carros, por que será?

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